← Voltar para cases
InovaçãoReportAgo 2025

Tecnologia na Indústria

Report de pesquisa · Inovação industrial em regiões emergentes

A inovação industrial brasileira é concentrada. São Paulo, o Sul e um punhado de outros centros consolidados absorvem a maior parte dos investimentos, dos talentos e da atenção. A pergunta que este report foi construído para responder: existem regiões fora desse eixo com condições reais de hospedar a próxima onda de transformação industrial — e o que seria necessário para isso?

PapelCoautor, Lead Designer e Editor. Responsável pela síntese da pesquisa, narrativa executiva, hierarquia visual, design das visualizações de dados, perfis regionais e revisão editorial final.

Tecnologia na Indústria: Inovação, Report
Impacto no negócio

Um report estratégico de pesquisa que argumenta — com dados — que a próxima onda de inovação industrial no Brasil não virá de São Paulo ou do Sul.

Tecnologia na Indústria: Report de pesquisa · Inovação industrial em regiões emergentes
Antes & depois

O que mudou

Antes

O ponto de partida

  • Investimento em inovação industrial fortemente concentrado em São Paulo e no Sul
  • Sem visão estruturada de quais regiões emergentes tinham condições industriais e educacionais reais para absorver IoT e Edge AI
  • Decisões de política pública sem dados comparativos regionais sobre prontidão para inovação
Depois

O que o report entrega

  • 15 regiões metropolitanas ranqueadas e perfiladas com critérios de pontuação consistentes
  • Uma metodologia replicável combinando demanda industrial, oferta de talentos e necessidade de desenvolvimento
  • Um artefato estratégico usado para orientar investimentos de programa e parcerias público-privadas

A pergunta por trás da pesquisa

O Brasil investiu R$38,3 bilhões em inovação industrial em 2023 — com o setor de transformação respondendo sozinho por 86,4% desse total. Os números são expressivos. Mas contam apenas parte da história: a maior parte desse capital flui para centros de inovação já consolidados.

O report foi encomendado dentro do contexto do programa Nova Indústria Brasil — a política industrial mais abrangente lançada pelo governo federal nas últimas décadas. Uma de suas premissas centrais é que a reindustrialização não pode prosperar se apenas aprofundar a concentração existente. A pergunta passou a ser: quais regiões têm de fato as condições para absorver uma transformação liderada por tecnologia?

Responder isso com rigor exigia mais do que intuição. Exigia uma metodologia.

Capa do report — "A Inovação Industrial no Brasil está Chegando a Novos Destinos" — produzido pelo FIT Instituto de Tecnologia como parte do programa nacional PNAAT.

A metodologia: encontrar potencial, não prestígio

47 regiões metropolitanas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil foram avaliadas. A seleção excluiu deliberadamente o Sul e o Sudeste — não porque não inovem, mas porque o objetivo era encontrar regiões promissoras mas ainda não óbvias.

O modelo de pontuação combinou quatro dimensões: demanda industrial por novos talentos (ponderada pelas projeções estaduais do Observatório Nacional da Indústria da CNI), número de instituições de ensino superior com cursos de TIC, número de ICTs credenciadas e IDH e PIB per capita como sinais de necessidade de desenvolvimento — priorizando regiões com mais espaço para crescer.

As regiões também passaram por filtros de exclusão: menos de 3 IES com cursos de TIC (pipeline de talentos insuficiente), mais de 2 ICTs credenciadas (já consolidadas) ou IDH acima de 0,74 (já relativamente desenvolvidas). O objetivo era encontrar o meio-termo promissor — regiões com base industrial genuína, capacidade educacional real e necessidade significativa de investimento.

Seção de mapeamento do report — "Regiões Metropolitanas Promissoras para Inovação Industrial e Capacitação em TICs" — visualizando a distribuição das regiões metropolitanas selecionadas no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil.

O framework da Indústria 4.0: uma linguagem comum para maturidade

Um dos desafios estruturais de qualquer análise regional é criar um ponto de referência compartilhado. Quando se fala em "transformação digital" com gestores públicos, federações industriais, universidades e empresas na mesma sala, o termo significa coisas diferentes para cada audiência.

Para resolver isso, o report adaptou o modelo de maturidade alemão Acatech — amplamente usado em contextos de política industrial — em um framework visual e claro para o leitor brasileiro. Os seis estágios vão da Informatização (sistemas legados substituindo tarefas manuais) passando por Conectividade, Visibilidade (monitoramento IoT), Transparência (análise de dados), Predição e finalmente Adaptabilidade (sistemas autônomos). O insight central é que o papel da IA aumenta progressivamente a partir da Transparência — e que a maior parte da indústria brasileira nessas regiões ainda está nos estágios iniciais, o que significa que a oportunidade de ganhos rápidos e de alto ROI com IoT e Edge AI é real e imediata.

Esse framework se tornou a espinha dorsal conceitual das recomendações regionais. Cada cadeia produtiva, cada perfil regional, cada sugestão tecnológica do report se conecta a ele.

Framework de maturidade da Indústria 4.0 — da Informatização passando por Conectividade, Visibilidade (IoT), Transparência, Predição até Adaptabilidade (sistemas autônomos) — mostrando como o envolvimento da IA aumenta progressivamente a partir da Transparência. Adaptado do modelo alemão Acatech.

As 15 regiões: perfis, não apenas dados

A seleção final — Aracaju, Belém, Cajazeiras, Campina Grande, Cuiabá/Várzea Grande, Goiânia, João Pessoa, Juazeiro do Norte (Cariri), Maceió, Palmas, Patos, Petrolina/Juazeiro, Santarém, São Luís e Sobral — foi perfilada individualmente com dados econômicos e industriais, principais cadeias produtivas, ecossistema institucional e oportunidades tecnológicas específicas.

Cada perfil foi desenhado para ser acionável: não um resumo do que a região é, mas um mapa de onde a tecnologia pode gerar impacto mais rápido e de maior valor. As cadeias produtivas dessas regiões — alimentos, agroindústria, materiais de construção, têxteis, químicos — compartilham uma característica comum: operam em grande parte sem automação, sem instrumentação IoT e sem sistemas preditivos. A distância entre a maturidade atual e o que sensores embarcados, Edge AI e conectividade industrial poderiam entregar é grande. Essa distância é a oportunidade.

Aracaju, por exemplo, registrou aumento de 132,7% nos investimentos em 2023 em relação a 2022, liderou o ranking nacional em agilidade de abertura de empresas e abriga o primeiro laboratório de inteligência artificial de Sergipe — todos sinais de uma região em transição ativa. Seu PIB industrial estadual chega a R$11,7 bilhões, com Utilidade Pública (44,8%), Construção Civil (13,2%), Alimentos (10,1%) e Químicos (10%) como setores líderes.

Página de perfil regional de Aracaju — mostrando características-chave, principais setores industriais de Sergipe (Utilidade Pública 44,8%, Construção Civil 13,2%, Alimentos 10,1%, Químicos 10%) e PIB industrial estadual total de R$11,7 bilhões.

O trabalho editorial e de design

Um report estratégico de 65 páginas tem dois modos de falha: fica tão denso que apenas especialistas o leem, ou tão simplificado que perde credibilidade com audiências técnicas. O trabalho editorial foi encontrar o caminho entre os dois.

Como Lead Designer e Editor, o trabalho envolveu muito mais do que diagramação. Significou decidir a sequência de leitura — o que um executivo deve entender nas primeiras cinco páginas, o que um parceiro regional precisa na página 30, o que uma equipe técnica precisa no apêndice. Significou criar visualizações de dados que tornam uma metodologia de pontuação legível sem exigir que o leitor entenda o modelo estatístico subjacente. Significou escrever transições que conectam contexto macroeconômico a especificidades regionais sem perder o fio condutor.

A identidade visual segue a linguagem institucional do FIT — azul-marinho escuro, verde estruturado, padrões geométricos — aplicada consistentemente ao longo de 65 páginas de densidade de conteúdo variável: de capas em sangria total a matrizes comparativas densas. O resultado é um documento que se lê como uma voz autoral única, não como uma coleção de fragmentos de pesquisa.

Para o que este report serve

O report foi publicado em agosto de 2025 para apoiar a direção estratégica do PNAAT — Programa Nacional de Aprendizado Acelerado em Tecnologia — e informar parcerias com federações industriais, universidades, empresas e governo nas 15 regiões selecionadas.

Seu argumento central não é sobre caridade ou inclusão. É sobre inteligência econômica. Desenvolver essas regiões não é apenas um ato de redistribuição — é uma aposta de que os próximos ganhos de produtividade industrial no Brasil virão de lugares que ainda têm espaço significativo para absorver tecnologia. As regiões que se tornarem polos agora definirão o mapa industrial do país daqui a uma década.

O report faz esse argumento com dados. Esse era o trabalho.

Começar uma conversa

Tem um problema que vale a pena resolver?

Se esse tipo de trabalho conversa com o que você está construindo, vamos trocar uma ideia.

Começar uma conversa
Mais trabalhos

Outros contextos onde a lógica muda, mas a entrega continua concreta.

PNAAT Site: UI/UX Design
DesignFront-end

PNAAT Site

React + Tailwind

Site de um programa nacional de residência tecnológica, criado com clareza e credibilidade.

Ver case
Gestão PNAAT: Programa de residência tecnológica
ProdutoSistemas

Gestão PNAAT

15 regiões · NPS 89

Gestão de um programa nacional de residência tecnológica, ligando instituições, empresas e regiões em todo o Brasil.

Ver case
Desafio Inovação: Inovação aberta · Indústria & Universidade
InovaçãoEcossistema

Desafio Inovação

7 edições · 500 projetos · R$50k em prêmios

Programa dual de inovação aberta conectando indústria e universidades, desenhado para encontrar talentos, resolver problemas reais de negócio e construir uma cultura de inovação duradoura.

Ver case
Tecnologia na Indústria · Case | Lucas Mattos