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InovaçãoEcossistema2019–2022

Desafio Inovação

Inovação aberta · Indústria & Universidade

A maioria dos programas de inovação aberta morre na própria retórica — geram buzz, coletam ideias e desaparecem. O desafio era construir algo diferente: um formato com apostas reais, suporte genuíno e continuidade suficiente para fazer as pessoas quererem voltar.

PapelDesenho de programa, coordenação, facilitação, comunicação visual, coaching de palestrantes, design do site, sistema de avaliação e apresentações públicas.

Desafio Inovação: Inovação, Ecossistema
Impacto no negócio

Programa dual de inovação aberta — colaboradores e universidades — que se tornou o desafio de inovação mais completo do Brasil ao longo de 4 anos.

Desafio Inovação: Inovação aberta · Indústria & Universidade
Antes & depois

O que mudou

Antes

Antes do programa

  • Inovação tratada como evento pontual sem continuidade
  • Talentos das universidades desconectados dos desafios industriais
  • Sem caminho estruturado da ideia ao protótipo funcional
Depois

O que construímos

  • Programa dual rodando em paralelo para colaboradores e universitários
  • Jornada completa: Bootcamp → Rocket Week → AtmosFeras Demo Day
  • Participantes que viraram líderes, fundadores e parceiros

O problema com a maioria dos programas de inovação

Inovação não vem de cima para baixo — ela vem de pessoas que já têm disposição para criar. O insight por trás do Desafio Flex foi parar de terceirizar essa energia e começar a canalizá-la a partir de quem já entendia o negócio ou tinha paixão pelos problemas.

Criamos dois programas paralelos: um para colaboradores que raramente tinham um caminho formal para concretizar ideias, e outro para universitários que tinham conhecimento técnico mas faltava desafios reais e infraestrutura de fabricação para testar.

A diferença essencial em relação a outros programas: a Flex não estava oferecendo apenas um prêmio. Estava oferecendo um ambiente estruturado — mentoria técnica, acesso ao laboratório maker do PIC (Product Innovation Center), transporte, alimentação, suporte de especialistas com a mão na massa — e uma chance real de ser contratado ou se tornar parceiro.

Participantes e plateia no AtmosFeras Demo Day — o evento final de pitches do Desafio Flex Inovação, com investidores, empresas parceiras e representantes de universidades avaliando os times finalistas.

Arquitetura do programa: três eventos de transformação

O programa foi estruturado como uma jornada de três fases, não um evento único. Cada fase tinha um propósito diferente e uma energia diferente.

O Bootcamp era um summit online de palestras e workshops — cobrindo fundamentos técnicos, conceitos de negócio e habilidades práticas. Os times chegavam à próxima fase com vocabulário compartilhado e camaradagem inicial.

A Rocket Week era o coração do programa: um hackathon de 4 dias presencial dentro do PIC. Antes de qualquer time escrever uma linha de código ou montar um protótipo, a Flex se sentava com cada time para entender o projeto, mapear o que era necessário e decidir se componentes deveriam ser comprados. Quando especialistas ou engenheiros eram necessários, a Flex os trazia — não apenas para orientar, mas para construir junto. O lab tinha equipamentos de manufatura aditiva industrial, infraestrutura IoT, automação e recursos de certificação disponíveis.

O AtmosFeras era o Demo Day: investidores, CEOs e parceiros de empresas de tecnologia eram convidados como juízes. Eles definiam os critérios de pontuação, a classificação, e os 15 finalistas dividiam R$50.000 em prêmios.

Colagem dos três formatos de eventos — Bootcamp (online), Rocket Week (hackathon presencial) e AtmosFeras (Demo Day) — o plano estrutural por trás da jornada de transformação do Desafio Flex.
Foto do time campeão do Desafio Flex Inovação 2022 — vencedores da Bahia que viajaram para São Paulo para o evento final.

Do inconsciente ao processo consciente de inovar

O design do programa partiu de um insight comportamental: muitas pessoas já têm traços de mindset de inovação, mas operam em "modo voo de galinha" — esporádico, reativo, sem estrutura. A fase Bootcamp foi desenhada para tornar essa capacidade implícita em algo explícito e disciplinado.

Os participantes que se inscreveram já demonstravam pré-disposição para inovar. O treinamento não tentava implantar um comportamento estranho — dava estrutura e permissão a algo que já existia. O resultado foram pessoas que conseguiam gerar impacto no dia a dia, não apenas no contexto do desafio.

Realizamos mais de 10 palestras por ano em universidades sobre temas como o Metaverso para criar um pipeline de participantes engajados antes mesmo do desafio abrir inscrições. A abordagem presencial fez toda a diferença para alcançar estudantes em diferentes estados.

Lucas apresentando para uma grande plateia de universitários — parte do programa de palestras nos campi que criava consciência e engajamento em todo o Brasil antes do desafio.

Desenhando o sistema de avaliação e plataforma digital

Gerir 500+ submissões em dois programas paralelos exigia um sistema, não uma planilha. Desenhei um site central para submissão de ideias que permitia aos participantes fazer upload de projetos, anexar arquivos e acompanhar o status.

A camada de avaliação combinava pontuação automatizada em critérios pré-definidos com revisão manual de juízes usando escala 1–5. O modelo híbrido capturava tanto sinais quantitativos (completude, viabilidade, profundidade técnica) quanto julgamento qualitativo (criatividade, potencial de negócio). Essa combinação garantia que nenhuma boa ideia se perdesse por apresentação fraca, e nenhuma ideia fraca fosse inflada pelo entusiasmo.

Para o programa de palestrantes, conduzi um processo de coaching de uma semana: ensaios, feedback personalizado e templates de apresentação. Ensaiamos três vezes com cada palestrante para garantir que o conteúdo do Bootcamp fosse genuinamente valioso e não apenas credencial.

Diagrama mostrando a missão do Desafio Flex: conectar Universidade e Indústria por meio de Talentos, Trabalho, Pessoas e Propósito — formando a Comunidade Flex.

Construindo a rede universitária

Ao longo de quatro anos, o programa desenvolveu parcerias ativas com 25 universidades em diferentes estados brasileiros. A participação de universidades não parceiras cresceu organicamente à medida que ex-participantes falavam sobre a experiência.

O programa universitário foi particularmente poderoso porque dava aos estudantes algo que a maioria dos programas acadêmicos não consegue oferecer: um desafio real, infraestrutura real, apostas reais e mentores que eram profissionais — não apenas professores.

Através do Desafio, a Flex e o FIT contrataram pessoas que hoje são líderes na empresa e formaram parcerias com startups que entraram no mercado. O programa serviu como um pipeline de talentos com um filtro incomum: não selecionava por notas ou currículos, mas por como as pessoas se comportavam sob pressão criativa.

Colagem mostrando os três formatos de eventos — Bootcamp (online), Rocket Week (hackathon presencial) e AtmosFeras (Demo Day) — os três pilares da jornada de transformação do Desafio Flex.

Aprendizados de 7 edições

Colaboração interfuncional não é opcional. Inovação não prospera em silos — ela precisa de pessoas de diferentes áreas, históricos e instituições trabalhando em direção a um problema compartilhado. O programa foi desenhado em torno disso desde o início.

Comunicação excessiva é necessária. O maior desafio de coordenação foi manter clareza de mensagem entre 25 universidades, dezenas de mentores, times internos e 500+ participantes. Repetição garante alinhamento; assumir que as pessoas entenderam é como programas falham.

Empoderar os outros agrega mais valor do que resolver por eles. O papel era dar aos participantes as ferramentas, infraestrutura e mentoria para que conseguissem — não fazer por eles. Os melhores resultados vieram de times com total autonomia e total suporte.

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