Antes do programa
- Inovação tratada como evento pontual sem continuidade
- Talentos das universidades desconectados dos desafios industriais
- Sem caminho estruturado da ideia ao protótipo funcional
Inovação aberta · Indústria & Universidade
A maioria dos programas de inovação aberta morre na própria retórica — geram buzz, coletam ideias e desaparecem. O desafio era construir algo diferente: um formato com apostas reais, suporte genuíno e continuidade suficiente para fazer as pessoas quererem voltar.
PapelDesenho de programa, coordenação, facilitação, comunicação visual, coaching de palestrantes, design do site, sistema de avaliação e apresentações públicas.

Programa dual de inovação aberta — colaboradores e universidades — que se tornou o desafio de inovação mais completo do Brasil ao longo de 4 anos.

Inovação não vem de cima para baixo — ela vem de pessoas que já têm disposição para criar. O insight por trás do Desafio Flex foi parar de terceirizar essa energia e começar a canalizá-la a partir de quem já entendia o negócio ou tinha paixão pelos problemas.
Criamos dois programas paralelos: um para colaboradores que raramente tinham um caminho formal para concretizar ideias, e outro para universitários que tinham conhecimento técnico mas faltava desafios reais e infraestrutura de fabricação para testar.
A diferença essencial em relação a outros programas: a Flex não estava oferecendo apenas um prêmio. Estava oferecendo um ambiente estruturado — mentoria técnica, acesso ao laboratório maker do PIC (Product Innovation Center), transporte, alimentação, suporte de especialistas com a mão na massa — e uma chance real de ser contratado ou se tornar parceiro.

O programa foi estruturado como uma jornada de três fases, não um evento único. Cada fase tinha um propósito diferente e uma energia diferente.
O Bootcamp era um summit online de palestras e workshops — cobrindo fundamentos técnicos, conceitos de negócio e habilidades práticas. Os times chegavam à próxima fase com vocabulário compartilhado e camaradagem inicial.
A Rocket Week era o coração do programa: um hackathon de 4 dias presencial dentro do PIC. Antes de qualquer time escrever uma linha de código ou montar um protótipo, a Flex se sentava com cada time para entender o projeto, mapear o que era necessário e decidir se componentes deveriam ser comprados. Quando especialistas ou engenheiros eram necessários, a Flex os trazia — não apenas para orientar, mas para construir junto. O lab tinha equipamentos de manufatura aditiva industrial, infraestrutura IoT, automação e recursos de certificação disponíveis.
O AtmosFeras era o Demo Day: investidores, CEOs e parceiros de empresas de tecnologia eram convidados como juízes. Eles definiam os critérios de pontuação, a classificação, e os 15 finalistas dividiam R$50.000 em prêmios.


O design do programa partiu de um insight comportamental: muitas pessoas já têm traços de mindset de inovação, mas operam em "modo voo de galinha" — esporádico, reativo, sem estrutura. A fase Bootcamp foi desenhada para tornar essa capacidade implícita em algo explícito e disciplinado.
Os participantes que se inscreveram já demonstravam pré-disposição para inovar. O treinamento não tentava implantar um comportamento estranho — dava estrutura e permissão a algo que já existia. O resultado foram pessoas que conseguiam gerar impacto no dia a dia, não apenas no contexto do desafio.
Realizamos mais de 10 palestras por ano em universidades sobre temas como o Metaverso para criar um pipeline de participantes engajados antes mesmo do desafio abrir inscrições. A abordagem presencial fez toda a diferença para alcançar estudantes em diferentes estados.

Gerir 500+ submissões em dois programas paralelos exigia um sistema, não uma planilha. Desenhei um site central para submissão de ideias que permitia aos participantes fazer upload de projetos, anexar arquivos e acompanhar o status.
A camada de avaliação combinava pontuação automatizada em critérios pré-definidos com revisão manual de juízes usando escala 1–5. O modelo híbrido capturava tanto sinais quantitativos (completude, viabilidade, profundidade técnica) quanto julgamento qualitativo (criatividade, potencial de negócio). Essa combinação garantia que nenhuma boa ideia se perdesse por apresentação fraca, e nenhuma ideia fraca fosse inflada pelo entusiasmo.
Para o programa de palestrantes, conduzi um processo de coaching de uma semana: ensaios, feedback personalizado e templates de apresentação. Ensaiamos três vezes com cada palestrante para garantir que o conteúdo do Bootcamp fosse genuinamente valioso e não apenas credencial.

Ao longo de quatro anos, o programa desenvolveu parcerias ativas com 25 universidades em diferentes estados brasileiros. A participação de universidades não parceiras cresceu organicamente à medida que ex-participantes falavam sobre a experiência.
O programa universitário foi particularmente poderoso porque dava aos estudantes algo que a maioria dos programas acadêmicos não consegue oferecer: um desafio real, infraestrutura real, apostas reais e mentores que eram profissionais — não apenas professores.
Através do Desafio, a Flex e o FIT contrataram pessoas que hoje são líderes na empresa e formaram parcerias com startups que entraram no mercado. O programa serviu como um pipeline de talentos com um filtro incomum: não selecionava por notas ou currículos, mas por como as pessoas se comportavam sob pressão criativa.

Colaboração interfuncional não é opcional. Inovação não prospera em silos — ela precisa de pessoas de diferentes áreas, históricos e instituições trabalhando em direção a um problema compartilhado. O programa foi desenhado em torno disso desde o início.
Comunicação excessiva é necessária. O maior desafio de coordenação foi manter clareza de mensagem entre 25 universidades, dezenas de mentores, times internos e 500+ participantes. Repetição garante alinhamento; assumir que as pessoas entenderam é como programas falham.
Empoderar os outros agrega mais valor do que resolver por eles. O papel era dar aos participantes as ferramentas, infraestrutura e mentoria para que conseguissem — não fazer por eles. Os melhores resultados vieram de times com total autonomia e total suporte.
Se esse tipo de trabalho conversa com o que você está construindo, vamos trocar uma ideia.
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