Conceito 1 — Módulos físicos com rastreamento AR
O primeiro conceito foi desenhado para contextos de showroom. Um conjunto de cubos físicos grandes, cada um representando uma fase de manufatura — montagem, testes, embalagem — poderia ser fisicamente reorganizado pelo usuário para configurar o layout de uma linha de produção.
Uma vez configurada, a pessoa com headset de AR via a versão virtual daquela linha exata ganhar vida: máquinas animadas, processos rodando, dados sobrepostos em cada estação. Uma versão tabletop escalava a interação para demonstrações em salas de reunião, onde cubos menores na mesa acionavam a mesma visualização em AR.
A lógica de interação era deliberada: o ato físico de organizar os cubos tornava a configuração tangível e intuitiva, enquanto a camada AR tornava a consequência de cada arranjo imediatamente visível.

Conceito 2 — Modelo virtual da fábrica em sala VR
O segundo conceito deslocou a relação: em vez de configurar uma linha, o usuário observa e controla a fábrica inteira de cima. Dentro de uma sala virtual, um modelo isométrico holográfico do chão de fábrica completo flutua no espaço — animado, ao vivo, com alertas e dados visíveis em diferentes áreas.
A navegação era feita por gamepad: o usuário podia rotacionar o modelo, dar zoom em zonas específicas e acessar painéis de dados pré-configurados para cada seção. O conceito foi desenhado para cenários de monitoramento remoto — um gestor ou engenheiro que precisa ler o estado da fábrica sem estar fisicamente presente.
A perspectiva aérea dava contexto espacial que dashboards planos não conseguem: dava para ver qual parte da linha estava rodando, onde um alerta estava disparando e como isso se relacionava com o resto da operação.

Conceito 3 — Navegação imersiva no chão de fábrica em VR
O terceiro conceito colocou o usuário dentro da fábrica em escala real. Em imersão total de VR, o operador podia ficar ao lado de máquinas, ler dados ao vivo sobrepostos nos equipamentos e se mover pelo espaço como se estivesse fisicamente presente no chão de fábrica.
A navegação usava um mapa 3D isométrico da planta com um sistema de posicionamento — o usuário via sua localização dentro do layout completo e podia se teletransportar para qualquer área diretamente pelo mapa. Isso resolvia um dos desafios reais de VR em grande escala: se perder em um espaço grande demais para percorrer.
O conceito mirava cenários de treinamento e inspeção remota — casos onde presença física é impraticável ou custosa demais, mas entender o espaço industrialmente é crítico.

Por que este projeto ainda importa
Esses conceitos foram criados em 2014 — antes do lançamento do Oculus Rift para consumidores, antes do HoloLens existir, antes de "computação espacial" virar termo de marketing. Não eram ficção científica especulativa; eram propostas de interação baseadas em contextos de usuário e problemas operacionais específicos da Flex.
O que o projeto demonstra não é previsão sobre hardware — é que as perguntas de design já eram as certas: como tornar uma fábrica legível à distância? Como deixar alguém configurar algo físico e ver imediatamente a consequência digital? Como navegar em um grande espaço industrial sem estar lá?
Essas perguntas continuam sendo as mesmas que movem o design de interfaces espaciais em manufatura hoje. O meio alcançou o briefing.